Acionamento de térmicas expõe limites do sistema elétrico

Data da publicação: 21/08/2025

O acionamento de usinas térmicas voltou a ser apontado como medida necessária para garantir o equilíbrio do sistema elétrico brasileiro. Segundo Rodrigo Sacchi, gerente executivo da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica CCEE, que participou do evento Brazil Energy Frontiers, que aconteceu nesta quinta-feira, 21 de agosto, no Rio de Janeiro, a capacidade hidráulica sozinha não será suficiente para atender à demanda nos próximos meses, especialmente no final do período seco.

Sacchi destacou ainda que a curva de consumo ao longo do dia cria um desafio adicional. Com o crescimento da geração solar, há excesso de energia no meio da manhã, quando os preços caem ao mínimo. Mas no início da noite, com a queda da produção fotovoltaica, surge uma “rampa” de demanda que pode chegar a 50 gigawatts em poucas horas. “Hoje, apenas 3 gigawatts de térmicas são flexíveis e respondem em até 8 horas. As demais, cerca de 18 gigawatts, demoram mais e não conseguem atender a ponta. Por isso, o preço horário já reflete essa escassez e registramos em agosto picos próximos de R$ 900 por megawatt-hora”, ressaltou.

O executivo destacou que a formação de preços baseada em modelos centralizados traz limitações e não consegue refletir plenamente as expectativas dos agentes de mercado. Para ele, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) tem papel fundamental ao autorizar geração térmica adicional ou outras medidas para corrigir ineficiências do sistema.

Na mesma linha, Priscila Lino, diretora de assuntos regulatórios e mercado da Auren, ressaltou que o atual desenho do setor se apoia em leilões de reserva de capacidade, um mecanismo centralizado para contratar energia adicional. “Funciona, mas não está na mão do mercado. Ou seguimos com os leilões centrais ou mudamos o desenho e implementamos um mercado de contratação mais aberto”, avaliou.

As discussões reforçam que a expansão do setor dependerá de instrumentos complementares, como os leilões de capacidade e a contratação de reservas para garantir a segurança no fornecimento e evitar oscilações bruscas no preço da energia.

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