ONS gerenciou o corte de 1 GW entre 11h e 13h30 no domingo

Data da publicação: 24/08/2026

A Abradee queixou-se da falta de um detalhamento maior dos procedimentos e alertou que isso pode resultar em insegurança jurídica.

ONS ressaltou que medida visa equilibrar a alta geração de micro e mini geração distribuída com uma carga menor.

O ONS informou que acionou, neste domingo (23), pela segunda vez no ano, o plano de gestão de excedentes com sucesso. Ao todo, foi solicitado, a partir de dados previstos, o gerenciamento de 1 GW entre 11h e 13h30, segundo o Operador. A Abradee confirmou a adesão das distribuidoras ao plano, mas queixou-se da falta de um detalhamento maior dos procedimentos e alertou que isso pode resultar em insegurança jurídica para o setor elétrico.

Conforme o Operador vem reforçando nos últimos meses, a medida é indicada para poder equilibrar a alta geração de micro e mini geração distribuída diante de uma carga menor. Os distribuidores foram avisados no sábado (22) e seguiram com as manobras necessárias para manter o equilíbrio do SIN. Além disso, o ONS implementou medidas operativas complementares para redução da geração no SIN.

O Operador informou que manteve, em tempo real, os agentes atualizados e coordenou as ações no SIN, cuidando da gestão dos recursos disponíveis de acordo com a demanda da sociedade, em comunicação direta com os agentes do setor.

A Abradee confirmou, no sábado, ter sido acionada pelo ONS e que as distribuidoras executaram o plano, “que, cabe ressaltar, foi elaborado pelo ONS, segundo diretrizes definidas pelo próprio operador do sistema”. A associação acrescentou que as distribuidoras seguirão cumprindo seu papel para preservar a segurança e a estabilidade do SIN, diante de cenários de excesso de geração.

Mas reforçou, contudo, “a necessidade de maior detalhamento dos procedimentos, permitindo que os todos os eventuais cortes sejam feitos pelos geradores de acordo com critérios claros, robustos e definidos. A ausência desses pontos, na visão da associação, pode trazer insegurança jurídica para todo o setor elétrico”.

Para o Instituto Acende Brasil, o novo acionamento do plano de gestão de excedentes chamou a atenção para pontos discutidos no seu “White Paper 33: a expansão acelerada da Micro e Minigeração Distribuída (MMGD) impacta as dimensões econômica e operacional do sistema elétrico”. Entre os desafios apontados pelo documento estão o descasamento entre os momentos de produção e consumo de energia, a transferência de custos entre consumidores e a necessidade de adequar a estrutura tarifária à nova realidade do setor. De acordo com a entidade, com o objetivo de contribuir com a criação de regras que façam com que os benefícios e os custos da expansão da MMGD sejam corretamente alocados entre os usuários do sistema, o White Paper 33 aponta que apenas uma reforma tarifária produzirá sinais econômicos mais aderentes à realidade do sistema elétrico.

A reforma estimularia comportamentos que contribuam para o equilíbrio entre oferta e demanda e evitaria que custos associados à expansão de determinadas modalidades de geração sejam indevidamente transferidos para consumidores que não possuem esses recursos.

 

Todos os direitos reservados ao Instituto Acende Brasil